Nada nunca jamais está perdido
ou pode ser perdido:
nenhuma forma, identidade, nascimento,
nenhum objeto do mundo,
nem vida ou força ou qualquer coisa visível;
não devem as aparências deter
nem a esfera em mudança confundir
o seu cérebro.
Amplos são o espaço e o tempo,
amplos os campos da Natureza.
O corpo lerdo, envelhecido, frio
- brasas restantes de antigos fogos,
esmaecida luz dos olhos –
há de outra vez flamejar como deve;
o sol agora baixo no poente
levanta-se em manhãs e meios-dias
contínuos;
aos canteiros cobertos de gelo
retorna sempre o invisível código
da primavera,
com relva e flores, grãos e frutos
de verão.
O filósofo e poeta francês Gaston Bachelard diz que “o sonho é mais forte que a experiência”. Esse é um filme de sonho! Derivado de sonhos – do sonho do artista plástico Flávio Freitas se tornar um pintor, do sonho audiovisual meu e de Joca Soares… Do sonho musical de Edu Gomez…
Conheci Flávio Freitas na época da faculdade de arquitetura, no início dos anos 80, na UFRN. Eu e Flávio nos tornamos amigos e uma das marcas de nossa amizade foi a conversação. Papos e mais papos, às vezes nos sopapos da sua moto onde eu muitas vezes pegava carona para Petrópolis quando ele morava em Mãe Luiza numa “casa-mural” a La Juan Miró.
Essa e outras histórias com certeza dão um longa-metragem: a história de Flávio que foi estudar música nos EUA a bordo de um navio cargueiro e voltou pintor. A história do jovem de família tradicional que optou em morar no bairro simples de Mãe Luiza. A história de Flávio que foi se auto-exilar por 10 anos na ilha de Fernando de Noronha, etc.
Esse curta surgiu do convite que Flávio me fez para registrar em vídeo um pouco da sua vida e fazer artístico. Acho que foi João Moreira Salles que disse que um documentário pode funcionar muito bem com um recorte. Quando a gente quer contemplar muitas coisas acaba enfraquecendo a obra. Não sei mais se eu realmente li isso, mas o que importa é que decidi focar o curta no ateliê de Flávio e em seus pensamentos. Senti que assim já teríamos pano pras mangas, plasticamente, conceitualmente.
Fui inaugurar meu novo equipamento e comecei as filmagens. Ao saber que Joca Soares (experiente e conceituado diretor de vídeo em Natal) já tinha trabalhado com esse equipamento em um vídeo publicitário, pedi a Joca que me ensinasse a entender melhor a câmera. Eu já conhecia Joca dos anos 80/90, da cena rock de Parnamirim. Joca sempre me pareceu um cara legal, prestativo, etc e tal. E demonstrou na prática suas qualidades humanas e profissionais. Na verdade, Joca não conhecia tanto a câmera, e acabamos desvendando-a juntos. O principal de Joca, além de suas qualidades humanas e competência profissional, foi o seu entusiasmo e dinamismo ao se juntar ao projeto, fazendo com que eu logo o convidasse para dirigir o filme comigo. Lembro que logo no primeiro contato que tivemos no ateliê de Flávio, quando ele me viu filmando com o tripé, ele me disse: vamos esquecer um pouco esse tripé! Em certo momento dispensou o zoom da câmera e saiu fazendo o zoom com o corpo. Descobri que eu estava diante de um homem-máquina, mas extremamente criativo e sensível. Tão sensível que soube se tornar invisível para junto comigo captar a magia do cotidiano de Flávio em seu ateliê, como se não estivéssemos ali.
A intimidade que eu sempre tive com Flávio (de quem eu sempre fui fã), e a postura discreta de Joca, fizeram com que nos mimetizássemos com o espaço sagrado de Flávio. O conteúdo da entrevista surgiu como conseqüência da minha amizade de tantos anos com Flávio. Sempre conversamos sobre essas coisas. Então foi só provocar um pouco a situação, e deixá-lo livre no seu ateliê.
Gosto de pensar o roteiro como um ponto de partida para ficar aberto às possibilidades do próprio processo de realização da obra. E entendo mais a função do diretor como a de um provocador de situações. Durante o processo de filmagem, descobri que Joca também pensa assim, então foi fácil trabalharmos juntos. Tivemos uma química tão forte que a partir dessa experiência criamos uma produtora de vídeo: a “PRAIEIRA FILMES”. E estamos trabalhando juntos também com filmes publicitários.
Convidei Edu Gomez para fazer a trilha sonora do curta. Edu fez um trabalho de japonês, criando os trechos de música para cada momento imagético do filme, com todas essas partes formando um todo conceitual, dentro de uma unidade que traduziu musicalmente o espírito do vídeo de maneira extremamente delicada. Fez questão de usar o violão que era da sua avó, onde ele aprendeu a tocar.
Não sei se é um documentário. Prefiro chamar de filme. E como diz Michelangelo Antonioni: “um filme não é para ser entendido, é para ser sentido”. Então sintam à vontade. Sintam-se à vontade!
Nessa próxima sexta-feira, dia 13 de janeiro de 2012, será exibido o documentário “OPERAÇÃO PLÁSTICA com FLÁVIO FREITAS”, no espaço que compreende o ateliê do artista plástico Flávio Freitas e o Restaurante Dona Maria (vizinho ao Buraco da Catita), na Ribeira.
O documentário mostra a aventura solitária e bela do artista plástico Flávio Freitas no seu cotidiano de trabalho. O artista em seu ateliê. O artista na intimidade. O trabalho do artista. O pensamento do artista: o processo criativo, o desenho de observação, a disciplina diária, criar e vender, a história do ateliê na Ribeira, a espiritualidade.
O curta tem 11 minutos de duração e foi dirigido por Carito Cavalcanti e Joca Soares, com trilha sonora original de Edu Gomez, realização da PRAIEIRA FILMES e apoio da MUDERNAGE.
O filme “OPERAÇÃO PLÁSTICA com FLÁVIO FREITAS” ganhou dois prêmios na “Mostra Competitiva Nacional do Festival Goiamum Audiovisual”, realizado recentemente em Natal: Prêmio Júri Popular e Prêmio Menção Honrosa.
Assistam o trailer aqui:
A exibição do filme será gratuita e o evento contará com uma programação também voltada para a comemoração do aniversário do artista.
DADOS DO EVENTO
NOITE DE LANÇAMENTO DO VÍDEO “OPERAÇÃO PLÁSTICA COM FLÁVIO FREITAS”
Sexta-feira, 13 de janeiro de 2012. A partir das 20 h. No Restaurante Dona Maria / Ateliê Flávio Freitas – Av. Duque de Caxias, 182 – Ribeira
PROGRAMAÇÃO
SHOW DE “SAMBA.BOSSA.JAZZ” COM PAUL JONNES E BANDA
Paul Jonnes – Vocal (RJ)
Eduardo Taufic – Teclados
Paulo Milton – Baixo
Darlan Marley – Bateria
Flavio Freitas – Trompete
O RESTAURANTE DONA MARIA estará oferecendo serviço de bebidas e tira-gostos.
A ARTISTA LÍDIA QUARESMA estará vendendo roupa e louça pintadas à mão, e também gravuras e camisetas do ateliê Flavio Freitas.
PROGRAMAÇÃO PARALELA
Banda de Carnaval RIBEIRA DE PAU E CORDA
Espaço Cultural BURACO DA CATITA
Hora: 22 h
Banda de Pop-Rock QVATRE.
CONSULADO BAR
Hora: 21h30minh
Esse corpo do poema
Tão magro
Tá com fome, poema?
Com fome de letra?
De letra de música?
É, quer virar uma canção…
E sair por aí se requebrando
Esse corpo magro do poema!
Linda homenagem que o meu querido mano Mário Ivo fez pra mim em seu blog! Puxa! Fiquei feliz e emocionado! Obrigado meu irmão, meu amigo! Valeu! The show must go on!